terça-feira, 6 de dezembro de 2011

IV Antologia de Poetas Lusófonos


Aqui fica o convite para o lançamento da IV Antologia de Poetas Lusófonos em que participo com 5 poemas.



A Folheto Edições tem a honra de convidar V. Exa. e Família a assistir à apresentação da IV Antologia de Poetas Lusófonos a realizar no próximo dia 18 de Dezembro de 2011, pelas 15h30, no Auditório 2, da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS), Rua Dr. João Soares, em Leiria.
Haverá um momento de poesia com a participação de vários poetas.
A cerimónia terminará com um Porto de Honra.


Depois do sucesso das I, II e III Antologias de Poetas Lusófonos, que contou com mensagens de parabéns dos Presidentes da República de Portugal e do Brasil, assim como do Primeiro-ministro de Portugal, de diversas Embaixadas, imensas instituições e muitas pessoas individuais. Nasce, agora, a IV Antologia de Poetas Lusófonos.

No total, são mais de 400 poetas nas quatro Antologias, de 14 países. A IV Antologia conta com a participação de 128 poetas, de 12 países.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

XII Concurso de Poesia Agostinho Gomes - Vencedores


Alberto Pereira ficou em 3º lugar no XII Concurso de Poesia Agostinho Gomes.


Este ano, o júri contou com 201 concorrentes e 340 trabalhos. Actualmente, o concurso é nacional e internacional, tendo participado 74 poetas estrangeiros (72 brasileiros, um suíço e um francês).

O 1º lugar coube a Daniel Gonçalves, dos Açores, com o pseudónimo Sofia Verde Água e o trabalho “poema com mário cesariny: c...omo uma canção desesperada”.

Em 2º lugar, ficou Fernando Paulo Ribeiro de Sousa, do Porto,
com o poema “Utopia”.

O 3º lugar foi entregue a Alberto Pereira, da Parede,
com o poema “Feridas”.

O vencedor desta edição do prémio revelação juvenil foi Beatriz Helena Villegas Mendes, de Fernão Ferro, com o pseudónimo Missy Prince,
e o poema com o nome “Poesia na primeira pessoa”.

A notícia pode ser lida aqui:

http://www.entreaspas.info/destaque/vencedores-do-xii-concurso-de-poesia-agostinho-gomes-recebem-premios/

Alberto Pereira

Concurso Nacional de Textos de Amor 2011


Alberto Pereira, foi este ano um dos finalistas do Concurso Nacional de Textos de Amor, organizado pelo Museu Nacional da Imprensa, com o poema, "Amanhecem nas rugas precipícios".

Foram estes os textos que atingiram a derradeira etapa do concurso:

http://www.museudaimprensa.pt/eventuais/snam/2011/textos_de_amor_2011_finalistas.pdf

Alberto Pereira

sábado, 29 de outubro de 2011

Ricardo Gil Soeiro - Constelações do Coração


Assisti ontem ao lançamento de 2 livros de Ricardo Gil Soeiro,

"Constelações do Coração" e "Labor Inquieto".
Do primeiro já posso falar, porque o li hoje na totalidade.

Constelações do Coração é um ensaio sobre a ofícina da escrita, o labor inquieto do poema à procura duma voz que o traduza.
Tudo nasce no não visível.
O silêncio ensaia no corpo possibilidades de destino.

Como diz Ricardo Gil Soeiro,
"escrever é mentir com a máxima sinceridade de que se é capaz".

Mas antes de se mentir desta forma, é preciso aprender a mentira nos outros. Procurar fontes que encaixem no pensamento e o façam adornar com o peso do perfume.
Entre os nomes que fizeram este trabalho no autor, encontrei referências a escritores e livros que também me influenciaram.
"Húmus" de Raúl Brandão, "Carta ao Futuro", de Vergílio Ferreira, "Cartas a um jovem poeta" de Rilke, "O medo" de Al Berto.
Ramos Rosa, Herberto Helder e Paul Celan não escapam ao lote de obreiros que edificaram o telhado poético do autor.
A escrita começa num estado de vigília, em que é preciso ter os sentidos em tudo o que desenha o encanto.
O passo seguinte, a construção.

Como é referido em "Constelações do Coração",
"O silencioso mapa da nossa interioridade começa a ganhar forma e depois é preciso desbastar: cortar, eliminar, ler novamente tudo, deixá-lo em pousio, esquecê-lo, regressar comovido ao que já se havia esquecido, voltar a cortar. E há um instante, não sei muito bem explicar em que espessura do incriado o podemos vislumbrar, em que o poema nos pede para o deixarmos em paz. Está pronto a partir. E nós também."

Constelações do Coração é uma viagem à falência de uma ideia feita;
que o poeta trás à tona o verso no momento que quer.
Nada pode ser mais errado.
O poeta aguarda no fracasso que um verso lhe mostre a eternidade,
sabendo porém, que a eternidade também sabe morrer.

Um livro que aconselho vivamente, porque é preciso dar valor a autores como Ricardo Gil Soeiro, que trabalham muito sem que ninguém os veja.

Alberto Pereira

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

NÓDOAS ACORDADAS - Alberto Pereira




NÓDOAS ACORDADAS


Aprendi tantas vezes a morte,
sempre que o Verão atracava lâminas.
Abruptamente,
o catecismo afectivo mordia veneno.
As mulheres como navalhas
ruíam num sopro as cidades sobre a pele.

Mas o tempo trazia sempre
uma fogueira a acordar outro rosto.

Pela vigília luminosa, vinham de novo sereias,
a engolir a memória.
As lágrimas soerguidas nas nódoas
como satélites a espiar o encanto.

Lembro ainda a febre,
ora a estibordo, ora a bombordo,
de cada passo.
As palavras cálidas à flor da língua
a derreter a terra inteira
e de repente
um estrépito de paraíso.

Depois, o desenlace dos dias,
os minutos a respirarem a névoa,
as mulheres inesperadas noutros corpos.

Só na velhice entendi, 
um incêndio aprende-se com o gelo.

Alberto Pereira


Poema do livro
Amanhecem nas rugas precipícios









sexta-feira, 29 de julho de 2011

Revista "Os meus livros", edição de Agosto - Artigo sobre o livro "Amanhecem nas rugas precipícios", de Alberto Pereira, dedicado a João Aguardela


Na edição de Agosto, da revista "Os meus livros", pode ler-se um texto intitulado "Vozes Subtis" (pag. 41), onde são mencionados três exemplos distintos que reclamam atenção, fora das grandes coberturas mediáticas.


Entre estes livros está "Amanhecem nas rugas precipícios", de Alberto Pereira, dedicado a João Aguardela e com prefácio de
Pedro Sena-Lino.

Menciona João Morales , no texto:

Faz todo o sentido que a dedicatória surja "para o João Aguardela que não pôde envelhecer", uma vez que um dos vectores fulcrais em "Amanhecem nas rugas precipícios", (Edium Editores) ...., de Alberto Pereira, é a passagem do tempo e o confronto constante entre a infância e a velhice, com os seus contrastes e semelhanças dissimuladas...
Há uma sub-reptícia tentação de desafio - aos elementos e ao divino (patente em títulos como "Afinador de Nuvens", "Meteorologista de Lágrimas" ou "Estendal de vulcões").

Aqui ficam 2 dos poemas mencionados:


AFINADOR DE NUVENS

Passo as horas a afinar nuvens,
a ouvir-te trovejar nas veias.
Desde que me embargaste o corpo
com a tempestade,
nunca mais me aproximei de mim.
O céu ficou senil,
gesticula apenas uma miserável nódoa de paraíso
onde componho sinfonias com veneno.

A cabeça estremece,
tenho a memória raptada por sonetos indígenas.
Esfuziante o teu rosto desarruma o ódio.
Atravesso a pólvora, estrangulo o nevoeiro.
Na leveza do silêncio a garganta dorme.

A peregrinação de cactos
nunca impediu nada.
E ali estás tu,
o catálogo de precipícios
que não esqueço.

O coração é um relâmpago
a legendar cicatrizes.



ESTENDAL DE VULCÕES


Há quanto tempo o cérebro não vai ao dentista?
Uma sarjeta mal vigiada
acaba sempre a florir aftas.
Porque não arrancar os preservativos às palavras
para que os homens aconteçam.
Escurece-os a impotência dos dentes
sempre acomodados à crise das gengivas.

O palato não nasceu para engolir o escuro.
Vergar a língua é encomendar
um caixão para a cabeça.
Talvez por isso,
a boca seja um estendal de vulcões,
farto de se adiar em aspirinas.

Há quanto tempo o cérebro não vai ao dentista?
Sílabas sem esmalte,
são barbatanas para a cárie.
Mas os lábios têm por destino,
afogar lanças em perfume.

O pântano chega mais tarde,
quando o tártaro inunda o látex.

Os homens não sabem que as rugas começam na garganta.




Para todos os que queiram ler o artigo na íntegra, a revista já se encontra à venda.



Quanto ao livro, pode ser adquirido nos seguintes locais:





Livraria Porto Editora - Rua da Fábrica, 90, 4050-246 Porto

Livraria Porto Editora - Av. Óscar Lopes, loja 0.16, 4450-337 - Leça da Palmeira

Livraria Wook - Dolce Vita Tejo - Av. Cruzeiro Seixas, lojas 1080 e 1081, 2650-504 Amadora

Livraria Pó dos Livros - Av. Marquês de Tomar, 89A, Lisboa




sexta-feira, 22 de julho de 2011

João Aguardela

Em Setembro é editada a biografia sobre o músico João Aguardela, da autoria de Ricardo Alexandre.
Na edição de Agosto da revista "Os Meus Livros", leia sobre “Amanhecem nas Rugas Precipícios”, livro de poesia escrito por Alberto Pereira, que lhe é dedicado.

http://oml.com.pt/blogs/2011/07/21/biografia-de-joao-aguardela-e-editada-em-setembro/

sábado, 2 de julho de 2011

Amanhecem nas rugas precipícios - Locais de venda



Locais de venda do livro:

http://www.ediumeditores.org/livros/poesia/art-9789897010323/amanhecem-nas-rugas-precipicios.aspx

http://www.ediumeditores.org/postos-venda-livros.aspx


AMANHECEM NAS RUGAS PRECIPICIOS

                    
Amanhecem nas rugas precipícios.
Pesam os dias empinados no vazio,
o tempo é fogo coado
a narrar o escaldar da neve.

A ocidente do coração
a juventude  atrelada ao sangue.
No olhar o selim sedoso
onde se sentam ainda as mulheres
que despiam o paraíso.
Vêm devagar, tenebrosas,
com a distância em combustão.

Amanhecem nas rugas precipícios.
Espreitam na escotilha corporal,
migalhas luminosas enamoradas de sombra.

Já nada tosquia as cicatrizes.

A memória é um rebanho
de arame farpado
e a eternidade
o único tempo que morre.

Alberto Pereira
do livro "Amanhecem nas rugas precipícios"

ESTENDAL DE VULCÕES



ESTENDAL DE VULCÕES


Há quanto tempo o cérebro não vai ao dentista?
Uma sarjeta mal vigiada
acaba sempre a florir aftas.
Porque não arrancar os preservativos às palavras
para que os homens aconteçam.
Escurece-os a impotência dos dentes
sempre acomodados à crise das gengivas.

O palato não nasceu para engolir o escuro.
Vergar a língua é encomendar
um caixão para a cabeça.
Talvez por isso,
a boca seja um estendal de vulcões,
farto de se adiar em aspirinas.

Há quanto tempo o cérebro não vai ao dentista?
Sílabas sem esmalte,
são barbatanas para a cárie.
Mas os lábios têm por destino,
afogar lanças em perfume.

O pântano chega mais tarde,
quando o tártaro inunda o látex.

Os homens não sabem que as rugas começam na garganta.

Poema de Alberto Pereira
Livro Amanhecem nas rugas precipícios

À venda nos seguintes locais:




segunda-feira, 20 de junho de 2011

O LUMINOSO DESFIAR DA MEMÓRIA

TEXTO DO POETA RICARDO GIL SOEIRO
SOBRE O NOVO LIVRO DE ALBERTO PEREIRA,
"AMANHECEM NAS RUGAS PRECIPÍCIOS".


LER TEXTO NO SITE DA EDIUM EDITORES

http://www.ediumeditores.org/blog/20116/alberto-pereira-visto-por-ricardo-gil-soeiro.aspx

Ricardo Gil Soeiro

"gostaria de defender que a poesia de Alberto Pereira é simultaneamente luminosa e opaca ou, se quiserem numa outra formulação, luminosamente opaca. Confia-nos alguns dos seus segredos, é certo; mas recusa oferecer-se totalmente, pelo menos de um modo linear; é um livro, em suma, que alberga o cintilante dom dos enigmas".

domingo, 12 de junho de 2011

Texto de apresentação do livro "Amanhecem nas rugas precipícios"


Agora que o calor do lançamento do livro está um pouco mais distante, deixo aqui o texto lido na apresentação, porque me foi pedido por algumas pessoas.



TEXTO DE ALBERTO PEREIRA


APRESENTAÇÃO DO LIVRO
"AMANHECEM NAS RUGAS PRECIPÍCIOS".


Estar aqui é habituar a timidez a muita gente. Trazer o interior à plateia e deixar o reportório de enigmas deflagrar sobre os outros.
Faz já algum tempo que a intensidade do imaginário me roubou as mãos. Um rio que veio com a água de muitos. Pessoas que avisto nestas cadeiras. Uns oriundos de horizontes longínquos, outros de paisagens recentes.
Talvez por isso, não seja de mau grado principiar por onde normalmente se termina. Trazer à superfície nomes que me ensinaram a corrente.
Começo por agradecer ao Pedro Sena-Lino, pelos excelentes poetas que me aconselhou a ler. De Herberto Hélder a Ruy Belo, de Al Berto a Ramos Rosa, entre outros, todos me ensinaram a habitar a utopia. Depois, pelas horas intermináveis que tem perdido com os abismos que lhe apresento para limar. E também por ter feito o prefácio. Alertou-me várias vezes, um livro prefaciado por alguém pode limitar a autonomia do autor, porque este fica conotado a um estilo. Mesmo assim, entre a gratidão e o medo da crítica, escolhi ter o seu nome nesta obra, porque as coisas valem o coração que lhes quisermos dar.

Ao editor Jorge Castelo Branco, por todo o apoio.

Ao Ricardo Gil Soeiro, poeta em ascensão, que de imediato aceitou o convite para apresentar o livro.

Ao João Andrade da Silva, que representa nesta mesa a Liberdade.
Liberdade pela qual lutou quando a ditadura levantava a voz e também a que qualquer leitor pode ter ao analisar as palavras.

Ao Gonçalo Oliveira por dizer os meus delírios e ao Fernando Frias por os musicar.

À Céu que gastou horas a ouvir a rabugice das palavras, quando estas não tinham saúde para entrar nos poemas.

Ao Paulo Fonseca que vibrou tanto quanto eu, sempre que um verso chegava à Foz.

Ao Manuel Alonso pelas críticas construtivas.

Ao Carlos Pedro por me deixar levar metáforas para a nossa amizade.

E a todas as pessoas aqui presentes, não menos importantes.

Após os agradecimentos, o livro.

Em Dezembro de 2008, “O áspero hálito do amanhã”, e hoje, “Amanhecem nas rugas precipícios”. Alguns questionarão: porquê tanto declínio nas páginas destes trabalhos?
Simplesmente porque a escuridão é o útero da claridade.
Um livro, ordenhar do puzzle que foi chovendo dentro de um corpo. Tempestade que precisa de se lançar desse arranha-céus que é uma caneta. Cair na folha, entrar no branco, contar a memória, disparar metáforas para aliviar o vento e concluir, os grandes infernos são os que tiveram sol em excesso.
Letras que avançam até ao fim do molhe e enxergam os nossos olhos. Sai-nos do poente, um horizonte que não esperávamos. Muros que se confundiram com pássaros, nuvens interpretadas como asas, amores com o escorbuto no trono.
Em Amanhecem nas rugas precipícios, passeia a velhice. Prefácio de ciprestes. Flores que ficaram para trás. Mel com pressa. Pólen com a colmeia deprimida.
A vida. Facas e muros.
Perguntas que chegaram tarde ou nunca se fizerem.

O que sobra da anatomia do fascínio?

Qual a velocidade de uma amizade ectópica?

Quanto tempo demora o céu a levar um tiro na cabeça?

E as respostas.
Lâminas a que fechámos as portas.
Saber agora,
o futuro foram cães a morder relâmpagos.
Um incêndio aprende-se com o gelo.
O decote da névoa é inútil quando se esqueceu a acrobacia de uma manhã.
E que o paraíso é uma viagem que termina sempre no Inferno.
Mas este livro tem um sentido primordial, “dar” a velhice a alguém que não a pôde ter. Este sim, o grande destino desta tarde. Um objectivo. Que por momentos, todos possamos desaguar num homem e esse é João Aguardela.
Músico que não conheci no palco, mas sim numa cama de hospital. Líder e fundador dos Sitiados. Quem não se lembra do célebre refrão “esta vida de marinheiro está a dar cabo de mim”.
Posteriormente esteve envolvido em projectos como Megafone, Linha da Frente e A Naifa, numa tentativa constante de combinar a música tradicional portuguesa com sonoridades Pop e Rock. Nesta linha de inovação, ficou também ligado aos poetas. Musicou textos de José Luís Peixoto, Pedro Sena-Lino, Adília Lopes, Rui Lage, entre outros.
São os cruzamentos que a vida decide que a tornam fascinante. Recordo com saudade as conversas que tínhamos sobre literatura. Ele na sua jangada de lençóis e eu nas margens do seu desespero. Numa delas, disse-me: ainda um dia vou musicar um poema teu.
Embora nunca tenha convivido com João fora desse mundo de dor que é um hospital, cresceu em mim a necessidade de fazer algo por alguém que a doença calou prematuramente.
Porque o tempo não lhe permitiu musicar um poema meu, fica este livro, para que o esquecimento não o encontre.
Muito obrigado a todos.

Alberto Pereira
21/05/2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Livro "Amanhecem nas rugas precipícios" - Convite











Amanhecem nas rugas precipícios

Autor: Alberto Pereira

Data: Lançamento no dia 21 de Maio, 18 horas

Local: Hotel Real Parque, Av. Luis Bivar, 67, Lisboa

Apresentação da Obra e Autor, a cargo de Ricardo Gil Soeiro e João Andrade da Silva.

Apresentação:

Venerar falésias, idolatrar sombras, cortejar abismos, foi o roteiro para obter o fascínio. A infância é um tempo que não lhe sai dos dias. Proibir varizes aos brinquedos tem sido o seu ofício. Talvez por isso, goste de lembrar ao destino uma frase de Herberto Helder;

“E nada mais somos do que o Poema
onde as crianças se distanciam loucamente”

Este novo trabalho, “Amanhecem nas rugas precipícios”, fala de ilusões rachadas nas paredes de um corpo. A solidão invadiu os nomes, o tempo passa como um chicote. Na memória procura-se a metáfora que desminta os ciprestes. Mas, o único rumor são noites por devorar.

Um livro com prefácio de Pedro Sena-Lino e dedicado a João Aguardela.


Alberto Pereira nasceu em Lisboa em 1970.
É Licenciado em Enfermagem.
Publicou em 2008, “O áspero hálito do amanhã”, Edium Editores.
Participou em colectâneas de Contos e Poesia, das quais se destacam:
Bicicletas para Memórias & Invenções IV e V (Companhia do Eu);
Textos de Amor (Museu Nacional da Imprensa/QuidNovi).



Prémios

2008

1º Prémio do Concurso de Poesia, “Ora, vejamos”;

2009

1º Prémio do Concurso de Conto, “Ora, vejamos”;
1º Prémio no Concurso de Poesia da ACAT;
2º Prémio do Concurso de Poesia, “Ora, vejamos”;
3º Lugar no Prémio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana, entre 3027 obras inscritas de 26 países;
Menção Honrosa no I Prémio de Poesia da Cooperativa Literária;

2010

Menção Honrosa no Concurso Nacional de Textos de Amor, Museu Nacional da Imprensa;
Finalista no 21º Concurso de Contos Paulo Leminski, Paraná, Brasil;

2011

Vencedor (ex-aequo) do Concurso Literário, Conto por Conto.Ver mais

quinta-feira, 24 de março de 2011

Geração à rasca/Pais à rasca/Todos à rasca

PARA REFLECTIR

Geração à Rasca - A Nossa Culpa por Mia Couto

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquer coisa phones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas,
porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim.

Mia Couto

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

TEXTOS DE AMOR

Aqui fica uma sugestão para o Dia dos Namorados;


Livro "Textos de Amor", editado recentemente pela Quidnovi, uma parceria com o Museu Nacional da
Imprensa, em que participo.

À venda em várias livrarias (FNAC, WOOK e outras).




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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Concurso Literário "Conto por Conto"



Os vencedores do Concurso Literário, "Conto por Conto", organizado pela Editora Alfarroba são:

Alberto Pereira
Anabela Borges 
Ana Margarida Lacerda
José Ribeiro
Olinda de Freitas

Os contos serão publicados em livro, brevemente.


http://alfarroba-blogue.blogspot.com/2011/02/e-os-vencedores-sao-parte-ii.html