sexta-feira, 29 de julho de 2011

Revista "Os meus livros", edição de Agosto - Artigo sobre o livro "Amanhecem nas rugas precipícios", de Alberto Pereira, dedicado a João Aguardela


Na edição de Agosto, da revista "Os meus livros", pode ler-se um texto intitulado "Vozes Subtis" (pag. 41), onde são mencionados três exemplos distintos que reclamam atenção, fora das grandes coberturas mediáticas.


Entre estes livros está "Amanhecem nas rugas precipícios", de Alberto Pereira, dedicado a João Aguardela e com prefácio de
Pedro Sena-Lino.

Menciona João Morales , no texto:

Faz todo o sentido que a dedicatória surja "para o João Aguardela que não pôde envelhecer", uma vez que um dos vectores fulcrais em "Amanhecem nas rugas precipícios", (Edium Editores) ...., de Alberto Pereira, é a passagem do tempo e o confronto constante entre a infância e a velhice, com os seus contrastes e semelhanças dissimuladas...
Há uma sub-reptícia tentação de desafio - aos elementos e ao divino (patente em títulos como "Afinador de Nuvens", "Meteorologista de Lágrimas" ou "Estendal de vulcões").

Aqui ficam 2 dos poemas mencionados:


AFINADOR DE NUVENS

Passo as horas a afinar nuvens,
a ouvir-te trovejar nas veias.
Desde que me embargaste o corpo
com a tempestade,
nunca mais me aproximei de mim.
O céu ficou senil,
gesticula apenas uma miserável nódoa de paraíso
onde componho sinfonias com veneno.

A cabeça estremece,
tenho a memória raptada por sonetos indígenas.
Esfuziante o teu rosto desarruma o ódio.
Atravesso a pólvora, estrangulo o nevoeiro.
Na leveza do silêncio a garganta dorme.

A peregrinação de cactos
nunca impediu nada.
E ali estás tu,
o catálogo de precipícios
que não esqueço.

O coração é um relâmpago
a legendar cicatrizes.



ESTENDAL DE VULCÕES


Há quanto tempo o cérebro não vai ao dentista?
Uma sarjeta mal vigiada
acaba sempre a florir aftas.
Porque não arrancar os preservativos às palavras
para que os homens aconteçam.
Escurece-os a impotência dos dentes
sempre acomodados à crise das gengivas.

O palato não nasceu para engolir o escuro.
Vergar a língua é encomendar
um caixão para a cabeça.
Talvez por isso,
a boca seja um estendal de vulcões,
farto de se adiar em aspirinas.

Há quanto tempo o cérebro não vai ao dentista?
Sílabas sem esmalte,
são barbatanas para a cárie.
Mas os lábios têm por destino,
afogar lanças em perfume.

O pântano chega mais tarde,
quando o tártaro inunda o látex.

Os homens não sabem que as rugas começam na garganta.




Para todos os que queiram ler o artigo na íntegra, a revista já se encontra à venda.



Quanto ao livro, pode ser adquirido nos seguintes locais:





Livraria Porto Editora - Rua da Fábrica, 90, 4050-246 Porto

Livraria Porto Editora - Av. Óscar Lopes, loja 0.16, 4450-337 - Leça da Palmeira

Livraria Wook - Dolce Vita Tejo - Av. Cruzeiro Seixas, lojas 1080 e 1081, 2650-504 Amadora

Livraria Pó dos Livros - Av. Marquês de Tomar, 89A, Lisboa




sexta-feira, 22 de julho de 2011

João Aguardela

Em Setembro é editada a biografia sobre o músico João Aguardela, da autoria de Ricardo Alexandre.
Na edição de Agosto da revista "Os Meus Livros", leia sobre “Amanhecem nas Rugas Precipícios”, livro de poesia escrito por Alberto Pereira, que lhe é dedicado.

http://oml.com.pt/blogs/2011/07/21/biografia-de-joao-aguardela-e-editada-em-setembro/

sábado, 2 de julho de 2011

Amanhecem nas rugas precipícios - Locais de venda



Locais de venda do livro:

http://www.ediumeditores.org/livros/poesia/art-9789897010323/amanhecem-nas-rugas-precipicios.aspx

http://www.ediumeditores.org/postos-venda-livros.aspx


AMANHECEM NAS RUGAS PRECIPICIOS

                    
Amanhecem nas rugas precipícios.
Pesam os dias empinados no vazio,
o tempo é fogo coado
a narrar o escaldar da neve.

A ocidente do coração
a juventude  atrelada ao sangue.
No olhar o selim sedoso
onde se sentam ainda as mulheres
que despiam o paraíso.
Vêm devagar, tenebrosas,
com a distância em combustão.

Amanhecem nas rugas precipícios.
Espreitam na escotilha corporal,
migalhas luminosas enamoradas de sombra.

Já nada tosquia as cicatrizes.

A memória é um rebanho
de arame farpado
e a eternidade
o único tempo que morre.

Alberto Pereira
do livro "Amanhecem nas rugas precipícios"

ESTENDAL DE VULCÕES



ESTENDAL DE VULCÕES


Há quanto tempo o cérebro não vai ao dentista?
Uma sarjeta mal vigiada
acaba sempre a florir aftas.
Porque não arrancar os preservativos às palavras
para que os homens aconteçam.
Escurece-os a impotência dos dentes
sempre acomodados à crise das gengivas.

O palato não nasceu para engolir o escuro.
Vergar a língua é encomendar
um caixão para a cabeça.
Talvez por isso,
a boca seja um estendal de vulcões,
farto de se adiar em aspirinas.

Há quanto tempo o cérebro não vai ao dentista?
Sílabas sem esmalte,
são barbatanas para a cárie.
Mas os lábios têm por destino,
afogar lanças em perfume.

O pântano chega mais tarde,
quando o tártaro inunda o látex.

Os homens não sabem que as rugas começam na garganta.

Poema de Alberto Pereira
Livro Amanhecem nas rugas precipícios

À venda nos seguintes locais: